Donald no País da Matemágica, de Hamilton Luske


FICHA TÉCNICA 

1959 / 27 min. / Animação, Família, Fantasia

Direção: Hamilton Luske, Les Clark

Personagens: Pato Donald, Pitágoras e os Pitagóricos etc.

Nacionalidade: Estados Unidos da América


O filme Donald no País da Matemágica (1959) de Hamilton Luske aborda a inteligibilidade do real ao mostrar o Pato Donald entrando em um mundo no qual tudo parece ser regido por números: a música, as formas, os jogos e até a própria natureza.


A animação parte da questão inicial de como a matemática consegue explicar tantas realidades distintas. Ora, segundo Santo Tomás de Aquino, a verdade é a adequação entre o intelecto e a realidade (adaequatio intellectus et rei). Assim, a matemática consiste em uma abstração do real, realizada pelo intelecto humano a partir das coisas sensíveis.


Com isso, podemos definir a Matemática como o conhecimento das quantidades abstraídas da matéria sensível, apreendidas pelo intelecto humano.


O princípio fundamental, em contraste com Pitágoras — que afirma “tudo é número” —, é que o tomismo sustenta que os números não são a própria realidade, mas exprimem aspectos reais dela. Ou seja, a matemática não cria o mundo, mas revela a ordem que nele já existe.


Ao analisarmos os elementos da animação, percebemos que a harmonia musical segue proporções numéricas. À luz de uma interpretação tomista, compreendemos que o som é físico (vibração), a proporção é inteligível, e o intelecto apreende essa ordem. Logo, a beleza musical depende da ordem real captada pela razão.


A geometria apresenta formas perfeitas que servem como modelos de beleza. Disso se segue que as figuras geométricas existem no intelecto, embora tenham fundamento na realidade. Numa distinção tomista, o ser de razão — como os entes matemáticos — é uma abstração realizada pelo intelecto a partir do ser real, isto é, das coisas concretas.


O filme também evidencia a lógica presente em jogos como o xadrez, nos quais a razão ordena adequadamente os meios aos fins; nesse contexto, a matemática atua como instrumento que aperfeiçoa o raciocínio lógico, manifestando a racionalidade prática.


Por fim, revela ainda a presença de padrões matemáticos na natureza, indicando que ela é intrinsecamente ordenada por uma inteligência, e que tal ordem é acessível e compreensível ao intelecto humano.


Isso nos remete à ideia de uma criação ordenada que, para além do encantamento imediato do Pato Donald, nos conduz, à luz do tomismo, a uma compreensão mais profunda: a matemática é verdadeira porque o real é ordenado, e o real é ordenado porque é inteligível ao intelecto humano.


Portanto, Donald no País da Matemágica (1959) nos apresenta a ordem matemática do mundo. À luz de Tomás de Aquino, compreende-se que a matemática é uma abstração do real, isto é, do conhecimento das quantidades fundadas nos princípios que estruturam a realidade. O real é inteligível, e a razão humana não inventa essa ordem, mas a descobre; por isso, a matemática se constitui como instrumento próprio da inteligência.


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