A Rotina Tem Seu Encanto, de Yasujiro Ozu


FICHA TÉCNICA

1962 / 112 min. / Drama

Direção: Yasujiro Ozu

Elenco: Chishû Ryû, Eijirô Tono, Keiji Sada, etc.

Nacionalidade: Japão


A rotina da vida possui valor ou não? A rotina da própria casa, o convívio entre pais e filhos, o passar do tempo na família, pois muitos pensam que apenas grandes acontecimentos são importantes. Mas não são poucos os artistas a mostrar-nos que a verdade da vida está nas coisas simples e repetidas.


O filme A Rotina Tem Seu Encanto (1962) mostra-nos o valor e a beleza da vida simples de uma família japonesa, o cotidiano entre pais e filhos e a passagem silenciosa do tempo.


O diretor Yasujiro Ozu é conhecido por retratar gestos simples, conversas comuns, silêncio e respeito entre gerações. Seu cinema procura mostrar a dignidade da vida ordinária, na qual destaca a rotina como uma forma de beleza oscilante, cotidiana, com suas superficialidades e profundidades. 


A beleza — paráfrase tomista — é aquilo que possui ordem, harmonia e clareza de forma. Assim, mesmo coisas simples podem ser belas quando manifestam ordem na vida humana. A rotina familiar — trabalho, refeições, conversas — pode revelar amor, respeito, fidelidade e continuidade das gerações.


A rotina revela a ordem da vida e no filme vemos refeições simples, diálogos cotidianos e até mesmo o silêncio entre os personagens. Essas pequenas ações mostram a estrutura da vida familiar, pois o tempo transforma as relações: os filhos crescem, os pais envelhecem, mostrando-nos que toda família vive a passagem inevitável do tempo.


Ao contrário do cinema de ação, Ozu mostra-nos a beleza do cotidiano nas casas, nas ruas, nos chás e nas conversas. Isso nos ensina que a grandeza da vida está no ordinário e não apenas no extraordinário. Poderíamos até mesmo concluir que o núcleo deste filme gira em torno desta tese: a verdadeira grandeza da vida humana aparece nas pequenas ações do cotidiano.


Além do mais, o cuidado dos nossos familiares e de nós próprios, necessariamente, requer cuidar da nossa rotina. As escolhas diárias sem racionalidade gera a dispersão que resulta no fracasso do cotidiano, cujo perigo inclui o nosso próprio abandono e a falta de beleza.


Ora, a falta de ordem é a causa de incontáveis infelicidades e das paixões desordenadas, vícios que roubam-nos a virtude de tudo o que fazemos e a beleza de todo o nosso esforço.


Conclui-se que A Rotina Tem Seu Encanto (1962) de Yasujiro Ozu é um retrato da vida familiar japonesa, da valorização do cotidiano, da passagem do tempo, da relação entre pais e filhos e da beleza da vida simples.


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